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bifurcações, escolhas, Pocahontas, etc
todo dia que venho trabalhar presencialmente no Tribunal, me deparo com uma daquelas microdecisões irrelevantes. me vejo em uma bifurcação. à direita, um caminho mais feio, mas menos movimentado. à esquerda, o mais bonito, mas mais caótico.
não sei porque, mas foi só hoje que isso me lembrou a cena em que a Pocahontas tem que escolher por qual lado do rio ela quer seguir: o mais turbulento e perigoso ou o mais calmo.
é evidente que lá no filme, e também aqui na minha vida, essa questão suscita debates muito mais profundos.
me remete ao esforço que tem sido conciliar um trabalho lotado de atividades, uma Oficina de escrita que tem exigido tudo de mim e, claro, uma nova graduação (sem contar o Francês e a atividade física regular). eu escolhi, tal qual Pocahontas, o caminho mais difícil.
também é o mais alegre.
eu me vejo todo cansado todo o tempo. a opção mais óbvia seria desistir da faculdade, mas essa simplesmente não é uma opção, porque é algo que tem me realizado. eu nasci pra estudar artes (e não é só a Literatura que entra aí, a Língua Portuguesa, por si só, também é arte).
fazer essas escolhas não faz de mim alguém especial. percebo que essa é a realidade de muitos, é a realidade daqueles que sabem que uma vida cheia é uma vida no único sentido possível – afinal, viver é a tarefa dos vivos (em palavras valetudianas).
esse tipo de escolha exige um relembrar-se sempre. são precisos constantes lembretes de que uma vida cheia é uma vida que floresce. não é um movimento natural, porque esse movimento é estar em constante desconforto. é como o início de uma corrida, comer saudável, não ser uma pessoa adversativa, acreditar na bondade dos outros, ver no mundo uma chance de ser feliz, tomar dois litros de água por dia, se arrumar para ir a lugar nenhum, etc. nada disso é fácil. é no cuidado, no capricho, que há brilho.
hoje eu peguei a esquerda para vir trabalhar.



